A intemporalidade cinematográfica de António Lopes Ribeiro

13-03-2018

 Chamar filme de autor a um filme que só satisfaz o próprio autor não chega, não é cinema. António Lopes Ribeiro

Há já algum tempo que pretendia partilhar esta pequena entrevista a António Lopes Ribeiro, realizada em 1986 no programa Faz de Conta, com apresentação e autoria de Raul Solnado.

 António Lopes Ribeiro é uma incontornável personalidade do mundo cinematográfico português. Podemos afirmar mesmo que é um dos maiores realizadores da era de ouro do cinema em Portugal, juntamente com José Leitão de Barros.

Célebre por O Pátio das Cantigas e O Pai Tirano, Lopes Ribeiro, irmão de Ribeirinho, defende que o cinema é do público, para o público. Penso que esta mentalidade ajudou bastante no êxito dos seus filmes. 

"O Pai Tirano", em filmagens na baixa lisboeta.
"O Pai Tirano", em filmagens na baixa lisboeta.
António Lopes Ribeiro e Vasco Santana escolhem atriz para "O Pai Tirano".
António Lopes Ribeiro e Vasco Santana escolhem atriz para "O Pai Tirano".

O que é interessante nesta pequena conversa é reter algumas ideias que ainda hoje estão atuais. Lopes Ribeiro diz que antigamente "o público tinha uma curiosidade pelo cinema em geral que agora não tem. Agora como escolhe mais é mais difícil satisfazê-lo."

 Hoje vivemos numa era digital onde a informação navega quase à velocidade da luz. Já em 1986, António Lopes Ribeiro dizia:

 "Talvez haja mensagem a mais e cinema a menos."

 Outro aspeto importante é visão que Lopes Ribeiro partilhava sobre o filme como objeto artístico:

 "Fazer cinema ou qualquer espetáculo que não seja para o público chama-se a isso filmes de autor. Antes de mais nada, todos os filmes são de autor ou de autores."

Francisco Sousa Faria da Silva © 2018