Chamo-me Francisco e nasci no Porto em 1988, um ano antes da queda do Muro de Berlim. Na rádio ouvia-se pela primeira vez o Sweet Child O' Mine dos Guns N' Roses e Don't Worry Be Happy de Bobby McFerrin.

 Mais que uma apresentação pessoal, o texto que se segue é acima de tudo a minha relação com a leitura e o gosto pelos livros.

 Foi desde muito jovem que comecei a gostar de ler, escrever e desenhar. Começou tudo como uma amizade banal que foi crescendo, transcendendo-se. 

 Se tiver de situar no tempo o início desta aventura, regresso a 1998. Tinha 10 anos e estava no 5º ano de escolaridade.

 No tempo livre que tinha, entre estudo, desporto e brincadeiras com os amigos, arranjei lugar para a leitura. 

 Gostava particularmente de livros de aventuras sobre a História de Portugal. Nunca mais me vou esquecer da impressão que me provocou uma banda desenhada da autoria do duo Jorge Magalhães e Augusto Trigo. Era uma adaptação de uma lenda portuguesa, A Dama Pé-de-Cabra, compilada por Alexandre Herculano na obra dividida em dois volumes, Lendas e Narrativas. A história e os desenhos fascinaram-me e transportaram-me por completo para o tempo dos castelos, dos cavaleiros, das damas indefesas e do misticismo da Idade-média. Foi este o mote para descobrir uma das minhas coleções preferidas, Viagens no Tempo, das autoras Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. O Sabor da Liberdade, nono volume da coleção, é ainda hoje um dos meus livros juvenis preferidos.

www.leyaonline.com
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 Continuei a viajar pelas páginas de livros que hoje fazem parte de mim. Vivi a amizade de d'Artagnan e dos três mosqueteiros, embarquei no Relâmpago com o Corsário Negro, viajei pelo mundo em 80 dias ao lado de Phileas Fogg e do inconfundível Jean Passpartout, apaixonei-me pela delicada Mariana de Mompracem, descobri um tesouro inigualável na ilha de Monte Cristo, desenhei um "Z" no uniforme de opressores corruptos, revoltei-me com o preconceito perante um sineiro de Notre Dame, aplaudi a vitória de Wilfred de Ivanhoe no torneio dos normandos e saxões, percorri os caminhos de Sherwood com o Robin dos Bosques, viajei até à Transilvânia, nadei no Mississipi com o Tom, o Joe, o Huck e a Amy, desvendei as 20 000 léguas submarinas com o capitão Nemo e ainda lutei aos lado dos salteadores da floresta numa empolgante viagem de um anão cuja filosofia de vida assentava na confiança em crianças, nos sábios e nos artistas.

 Não tardou muito para que me aventurasse na escrita. Naquela altura, escrever duas páginas de linhas em formato A4 era já um grande feito! 

 Na adolescência, para além de Alexandre Dumas, que sempre me acompanhou desde criança, descobri também o "Ramalhete", aquele sinistro e assombrado casarão lisboeta onde habitava Afonso da Maia, o avô de dois amantes improváveis. 

 Apesar da tendência para a leitura Queirosiana, prefiro a Morgadinha de Júlio Dinis que muito me influenciou na forma de escrever. Não há nada como aprendermos diretamente com os escritores. E o que é que me ensinou Joaquim Coelho? Que na literatura, os detalhes são importantes e que contribuem para destacarmos o nosso texto e estilo.

 Quando ingressei na Universidade já tinha lido Camus e Kerouac mas mesmo assim desenvolvi um pouco mais o interesse que estes escritores me despoletaram. Ao lado, como um percurso de uma faixa contínua de autoestrada, estão Haruki Murakami, Stephen King e o nobel Yasunari Kawabata, que me remete sempre para o onírico universo cinematográfico de Yasujirō Ozu. Para contrastar e nunca esquecendo os mestres clássicos, Shakespeare e Victor Hugo tornaram-se também grandes influências.

 Fiz parte da equipa editorial da EASI e Yell Oh! Fanzine, revistas semestrais da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e comecei a ser solicitado para ilustrar livros de projetos da faculdade, sendo inclusive convidado para a sua apresentação pública. Destaco o livro Fiel/ Na Feira da Ladra: A História de um Piano, obra publicada em 2011, parte integrante do projeto Revisitar/ Descobrir Guerra Junqueiro da autoria do professor Henrique Manuel S. Pereira, também meu professor de Escrita Criativa.

 A partir desse momento, senti a necessidade de começar a publicar e a ilustrar as minhas obras. O último dia foi o meu primeiro livro de ficção, um thriller policial futurista publicado em 2012 pela Chiado Editora. O livro conta também com ilustrações da minha autoria e é livremente baseado em Rei Lear de William Shakespeare.

 Cinema: História, Estudo e Notas foi também publicado pela Chiado Editora. Até hoje é o maior e mais extenso documento que já escrevi. É acima de tudo uma recolha de factos e notas sobre a História da Sétima Arte, o Cinema. 

"Cinema: História, Estudo e Notas" 2014, Chiado Editora
"Cinema: História, Estudo e Notas" 2014, Chiado Editora

 Continuei o meu percurso e em outubro de 2016, comecei a escrever e a ilustrar para o público juvenil com a coleção Os Mosqueteiros. É um projeto editado pela Coolbooks, com a chancela da Porto Editora, escrito, ilustrado e graficamente concessionado por mim. 

Francisco Sousa Faria da Silva © 2018